Diretoria Clínica: liderança que transforma segurança e qualidade na oftalmologia

A oftalmologia vive um momento de grande evolução tecnológica, ampliação do acesso e aumento das expectativas dos pacientes. Nesse cenário, cresce também a responsabilidade das clínicas e hospitais oftalmológicos em garantir segurança do paciente, qualidade assistencial e confiança em cada etapa do cuidado.

É nesse ponto que a diretoria clínica assume um papel central e estratégico. Mais do que uma função administrativa, ela se torna um agente ativo de cultura, capaz de alinhar pessoas, processos e valores em torno de um objetivo comum: cuidar bem, com segurança e excelência.

Cultura de segurança começa pela liderança

A cultura de segurança não se constrói apenas com normas e protocolos. Ela se consolida no cotidiano, na forma como as equipes se comunicam, como os erros são tratados e como as decisões são tomadas.

Quando a diretoria clínica lidera pelo exemplo — estimulando diálogo aberto, aprendizado contínuo e responsabilidade compartilhada — a segurança deixa de ser uma obrigação formal e passa a ser um valor institucional.

Acreditação como aliada da qualidade

Modelos de acreditação, como os da ONA, oferecem uma estrutura clara para fortalecer essa cultura. Na oftalmologia, os critérios específicos contribuem para organizar e padronizar processos essenciais, como:

  • rastreabilidade de lentes intraoculares, medicamentos e materiais;
  • uso sistemático de checklists cirúrgicos;
  • controle rigoroso de esterilização de equipamentos;
  • monitoramento de indicadores assistenciais e cirúrgicos.

Mais do que atender auditorias, a acreditação ajuda a criar previsibilidade, organização e segurança, beneficiando profissionais, pacientes e a própria sustentabilidade da instituição.

Boas práticas que fazem diferença

A experiência mostra que ações simples e consistentes têm grande impacto, como:

  • dupla checagem antes de procedimentos bilaterais;
  • identificação inequívoca do olho a ser operado;
  • comunicação clara entre equipes;
  • reporte não punitivo de eventos adversos e quase-erros;
  • análise periódica de indicadores clínicos.

Essas práticas fortalecem um ambiente em que todos se sentem corresponsáveis pelo cuidado.

Tecnologia e inteligência artificial a favor da segurança

Ferramentas digitais e inteligência artificial já começam a apoiar o monitoramento de riscos em serviços oftalmológicos. Inspiradas por referências como o Institute for Healthcare Improvement (IHI), essas soluções auxiliam na análise de dados clínicos, auditoria de processos e identificação precoce de riscos assistenciais.

Importante reforçar: a tecnologia não substitui o julgamento clínico, mas amplia a capacidade das equipes de agir preventivamente e com mais segurança.

Um compromisso coletivo

A segurança do paciente não pertence a um setor isolado. Ela é construída diariamente por médicos, enfermagem, técnicos, equipes administrativas e lideranças.

A diretoria clínica, ao assumir seu papel de protagonista, cria as condições para que todos caminhem na mesma direção: qualidade assistencial, cuidado humanizado e excelência sustentável.

Mensagem final
Segurança não é apenas cumprir protocolos — é cuidar de pessoas com responsabilidade, ética e atenção aos detalhes.
Quando a liderança médica valoriza isso, toda a instituição evolui.

Dra Silmara Loes – Médica Oftalmologista

Mentora de gestores na área de Diretoria Clínica 

Mentora em técnicas cirúrgicas para o tratamento de glaucoma 

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