Ao longo dos anos, temos acompanhado diferentes transformações na Saúde Suplementar. No entanto, o cenário atual se mostra cada vez mais complexo e desafiador, especialmente quando falamos sobre a sustentabilidade financeira de consultórios, clínicas e hospitais.
Para ilustrar esse contexto, vale destacar dados recentes do Observatório da Anahp, que evidenciam um cenário ambivalente, com o crescimento contínuo do número de beneficiários de planos de saúde — um cenário extremamente positivo para as operadoras. Em 2025, as operadoras alcançaram a marca de 53,18 milhões de beneficiários (com ou sem cobertura odontológica), representando um crescimento de 2,24% em relação a 2024.
Por outro lado, os dados demonstrados abaixo revelam um cenário preocupante para os prestadores de serviços de saúde, que enfrentam desafios cada vez maiores para manter suas instituições financeiramente saudáveis e operacionais.
Entre os principais problemas observados estão:
- Glosas iniciais em níveis exorbitantes;
- Prazos de recebimento cada vez mais longos;
- Inadimplências que passaram a fazer parte da rotina financeira das instituições.


Esses movimentos de retenção de receita, refletem um evidente desequilíbrio na cadeia da Saúde Suplementar, em que os prestadores acabam assumindo grande parte dos riscos e desvantagens do sistema, impactando diretamente o fluxo de caixa e a sustentabilidade dos negócios.
E na Oftalmologia, o cenário é diferente?
Definitivamente, não.
Independentemente da especialidade, a oftalmologia também faz parte da cadeia da Saúde Suplementar e sofre diretamente os mesmos impactos impostos pelas operadoras. Porém, existe um agravante importante no segmento: o avanço dos modelos de empacotamento e do chamado capitation.
O modelo de pacotes vem crescendo de forma acelerada e agressiva dentro da oftalmologia, enquanto o capitation, embora ainda mais tímido, já começa a ganhar espaço nas negociações e nos modelos de remuneração.
Diante desse cenário, surge a grande pergunta:
Como sobreviver a um mercado tão desafiador mantendo um caixa saudável e sustentável?
Algumas estratégias podem contribuir significativamente para a sustentabilidade das instituições:
- Integração eficiente de todo o ciclo da receita;
- Capacitação contínua das equipes operacionais e lideranças;
- Criação de fluxos mais ágeis para apresentação e faturamento das contas;
- Desenvolvimento de estratégias assertivas nas negociações com operadoras;
- Fortalecimento das negociações com fornecedores e gestão de compras;
- Monitoramento constante de indicadores financeiros e operacionais.
Além disso, existe um ponto essencial que não pode ser ignorado: conheça profundamente o seu negócio. A realidade da sua instituição não é igual à de outras clínicas ou hospitais. Estratégias que funcionam para um modelo podem não ser viáveis para outro.
Por isso, adapte suas decisões à sua realidade, construa análises consistentes e nunca negocie movido pela emoção. Negocie com estratégia: simule cenários, calcule riscos, avalie margens e utilize dados para sustentar suas decisões. E, principalmente, tenha clareza para recusar propostas que não sejam sustentáveis para o seu negócio.
O mercado da Saúde Suplementar continuará exigindo cada vez mais preparo, gestão e inteligência estratégica.
Agora eu te pergunto: sua instituição está realmente preparada para enfrentar esse cenário desafiador?
Fonte disponível na web:
https://www.anahp.com.br/publicacoes/observatorio-anahp-2026/
Artigo escrito por Ana Paula Reis, especialista e consultora em Contas Médicas.
