Autor:
Josiane Azolin – Especialista em Desenvolvimento Humano e Organizacional e Educação Corporativa
Você já percebeu como alguns hospitais “respiram” cuidado, enquanto outros apenas funcionam?
A diferença raramente está nas instalações ou nos equipamentos.
Está nas pessoas.
Na área da saúde, ninguém escolhe trabalhar apenas por um salário. Existe um chamado. Um desejo genuíno de fazer a diferença. Mas, com o tempo, a rotina pesa. A pressão aumenta. O propósito se dilui entre protocolos, filas, metas e cansaço.
Então surge a pergunta silenciosa de muitos gestores:
Como manter minha equipe engajada sem depender apenas de motivação momentânea?
A resposta não está em mais campanhas internas. Nem em frases inspiracionais no mural.
Ela está em algo mais profundo: pertencimento, aprendizado e sentido.
Engajamento Não se Cria. Ele se Constrói.
Engajamento não é entusiasmo passageiro.
É o que faz alguém cuidar como se fosse seu próprio familiar.
É o que leva um profissional a ir além do mínimo, mesmo em dias difíceis.
Na saúde, engajar não é “animar”. É conectar o que se faz com o porquê se faz.
E isso só acontece quando a organização cria um ambiente onde:
- aprender faz parte da rotina,
- líderes participam,
- e cada pessoa entende o impacto do seu trabalho na vida do outro.
Neste cenário, o endomarketing deixa de ser apenas comunicação interna e se transforma em experiência.
Endomarketing na Saúde: Quando a Cultura Fala Mais Alto que o Mural
Em muitos hospitais, o endomarketing ainda se resume a e-mails, campanhas internas e avisos operacionais.
Mas, em ambientes de cuidado, isso é pouco.
O verdadeiro endomarketing traduz propósito em prática.
Ele ajuda o colaborador a responder, todos os dias:
“Por que o meu trabalho importa?”
Quando essa resposta está clara, algo muda.
O profissional deixa de ser apenas executor. Ele passa a se reconhecer como parte de algo maior.
Endomarketing eficaz na saúde:
- Dá sentido às metas.
- Humaniza processos.
- Conecta estratégia com impacto real.
- Faz o colaborador perceber que ele também é cuidado.
E é nesse ponto que que vira enredo da missão e do proposito, indo ao encontro da cultura de aprendizagem.
Aprender para cuidar e fazer Melhor. Não Apenas para Cumprir Horas.
Treinamento não engaja por si só.
Pessoas se engajam quando percebem valor real no que aprendem.
Na prática, muitos profissionais já vivenciaram isso:
- Cursos que não dialogam com a rotina.
- Conteúdos que parecem distantes da realidade.
- Aprendizados que nunca viram ação.
Resultado?
Baixa adesão. Pouco impacto. Cansaço.
A virada acontece quando a organização deixa de perguntar
“Que cursos vamos oferecer?”
e passa a perguntar: “Que capacidades precisamos desenvolver para cuidar melhor?”
É aí que nascem as trilhas de aprendizagem.
Trilhas não são agendas de cursos.
São jornadas claras, conectadas ao papel de cada pessoa e ao momento da instituição.
Elas mostram:
- Onde estou.
- O que preciso aprender agora.
- Para onde posso evoluir.
Aprender deixa de ser obrigação. Passa a ser caminho.
O Papel da Liderança: Engajamento se Aprende pelo Exemplo
Nenhuma cultura se sustenta sem liderança.
Na saúde, líderes são faróis emocionais.
Eles definem, pelo comportamento, o que realmente importa.
Quando o gestor:
- aprende junto,
- valoriza o desenvolvimento,
- abre espaço para diálogo,
- reconhece avanços,
Ele envia uma mensagem silenciosa e poderosa:
“Aqui, crescer faz parte do trabalho.”
Ao mesmo tempo, o colaborador deixa de ser espectador. Ele passa a ser protagonista da própria jornada.
Engajamento nasce dessa combinação:
- a organização cria condições,
- o líder sustenta o movimento,
- o colaborador assume o aprendizado.
Não é cobrança. É corresponsabilidade.
Pertencer: O Engajamento que Permanece Mesmo nos Dias Difíceis
Na saúde, o pertencimento é o que sustenta o cuidado quando o cansaço chega.
Ele nasce quando:
- a voz é ouvida,
- o esforço é reconhecido,
- a evolução é visível,
- e o erro vira aprendizado.
Não se trata de grandes gestos.
Às vezes, basta um espaço de escuta. Um reconhecimento simbólico. Uma ideia colocada em prática.
Quando o profissional percebe que sua evolução importa, algo muda.
Ele não trabalha apenas para a instituição.
Ele trabalha com ela.
E quem vive uma boa experiência como colaborador entrega uma experiência ainda melhor ao paciente.
Engajar é Cuidar de Quem Cuida
Engajamento na saúde não nasce de campanhas.
Ele emerge de ambientes que respeitam, desenvolvem e conectam pessoas ao propósito.
Quando endomarketing e aprendizagem caminham juntos:
- o desenvolvimento deixa de ser evento,
- o trabalho ganha significado,
- e o pertencimento se torna parte da cultura.
Em saúde, isso não é apenas gestão.
É ética.
É cuidado ampliado.
Porque quem aprende, cresce.
Quem cresce, cuida melhor.
E quem se sente parte… permanece.
Referências
INSTITUTE FOR HEALTHCARE IMPROVEMENT (IHI). Building a Culture of Continuous Improvement in Health Care. Boston, 2019.
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HOSPITAIS PRIVADOS (ANAHP). Panorama do Setor de Saúde no Brasil. São Paulo, 2022.
FIORILLO, A.; GORWOOD, P. The consequences of the COVID-19 pandemic on mental health and implications for clinical practice. European Psychiatry, 2020.