Glosas: o cavalo de Troia das operadoras de saúde?

No atual cenário do universo da saúde suplementar, um inimigo silencioso tem ganhado força: as glosas. O que antes parecia apenas um detalhe burocrático hoje se tornou uma estratégia das operadoras.

Este artigo resumido revela o cenário atual, ações para um recurso eficaz e as competências desejáveis do profissional de recurso de glosa. Ficou interessado? Então vamos lá!

Cenário atual

Na 7ª edição do Balanço do Observatório da Anahp, publicada em setembro/25, temos uma visão clara da movimentação das operadoras da saúde suplementar no que tange às temidas glosas. De 2023 até os dias de hoje, as glosas iniciais estão subindo exponencialmente, seguindo uma tendência estratégica crescente.

O observatório apresenta um dado preocupante para os prestadores de saúde: no segundo trimestre de 2025, os hospitais da Anahp sofreram 14,66% de glosa inicial, que, ao final das tratativas, se resumiram a 1,97% de glosas pertinentes e aceitas.

A publicação apresenta um novo cenário que muitas vezes é passado despercebido, pois a tendência natural no dia a dia é manter o foco no comercial e em suas negociações, e os prestadores não percebem o escoamento e as perdas por meio das glosas.

Como se preparar para esse cenário desafiador?

Seguem algumas ações:

• Equipe capacitada: treine profissionais para lidarem com os recursos de glosa com segurança;
• Mapeamento constante: identifique e mensure glosas recorrentes, criando planos de ação;
• Indicadores eficazes: acompanhe métricas como glosa inicial e final;
• Integração com contas a receber: mantenha comunicação diária para identificar glosas nos demonstrativos de pagamento com maior agilidade;
• Domínio contratual: conheça cláusulas sobre prazos de recurso, contestação e resposta das operadoras;
• Rede de apoio técnico: envolva gestores, médicos, enfermeiros e colaboradores para embasar os recursos;
• Conscientização interna: compartilhe erros operacionais recorrentes para reduzir futuras glosas.

Para que o recurso seja eficaz, o profissional precisa unir técnica e estratégia. Portanto, os profissionais que atuam no recurso de glosa necessitam das seguintes competências:

• Competências (hard skills): conhecimento de contratos, tabelas de remuneração, manuais das operadoras, escrita, oratória e comunicação;
• Competências (soft skills): visão ampla, persuasão, capacidade crítica e analítica, resiliência e inteligência emocional.

Conclusão

Um recurso de glosas sem embasamento técnico e jurídico é como lutar sem armadura: o resultado inevitável são prejuízos financeiros. A questão é: sua instituição está pronta para enfrentar esse novo campo de batalha da saúde suplementar?

Texto por Ana Paula Reis, gerente e especialista em Contas Médicas.

Fonte disponível na web:
https://www.anahp.com.br/publicacoes/balanco-observatorio-anahp-7a-edicao/

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