Retinoblastoma: quando o diagnóstico precoce começa com informação, atenção e acesso ao cuidado

18 de setembro é o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma. Mais do que marcar uma data no calendário, a mobilização reforça uma mensagem essencial para famílias, profissionais e serviços de saúde: reconhecer precocemente os sinais pode contribuir decisivamente para preservar a vida, o olho e a visão de uma criança.

O retinoblastoma é o tumor maligno intraocular mais frequente na infância. Desenvolve-se na retina e pode acometer um ou ambos os olhos, ocorrendo predominantemente nos primeiros anos de vida. Segundo referências nacionais, aproximadamente 95% dos casos são diagnosticados até os cinco anos de idade. No Brasil, estima-se a ocorrência de cerca de 400 novos casos por ano. 

A Sociedade Brasileira de Pediatria destaca ainda a relevância da doença entre crianças muito pequenas: o retinoblastoma representa de 10% a 15% dos cânceres diagnosticados durante o primeiro ano de vida. 

Apesar de raro, seu impacto torna a conscientização indispensável. Quando identificado em fases iniciais e tratado adequadamente em centros especializados, o retinoblastoma apresenta taxas de cura superiores a 90%, com maiores possibilidades de preservação do globo ocular e de visão útil. Em contrapartida, o atraso no diagnóstico pode permitir a progressão da doença para estruturas fora do olho, aumentando a complexidade terapêutica e comprometendo o prognóstico. 

O sinal que não deve passar despercebido

Um dos sinais mais característicos é a leucocoria, popularmente descrita como “olho de gato”: em determinadas condições de iluminação ou em fotografias com flash, a pupila apresenta um reflexo esbranquiçado em vez do reflexo avermelhado habitual.

Estrabismo também pode ser uma manifestação da doença. Alterações persistentes na aparência ou posição dos olhos, tremores oculares, redução visual, vermelhidão ou outros sinais incomuns precisam ser avaliados por um médico oftalmologista. 

Um aspecto particularmente importante é que, muitas vezes, são os próprios pais ou pessoas próximas à criança que percebem inicialmente uma alteração. Material publicado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia já chamava atenção para a importância da leucocoria e para a participação da família na identificação dos primeiros sinais do retinoblastoma. 

Por isso, informação de qualidade também faz parte da assistência.

O Teste do Olhinho é fundamental — mas o acompanhamento não termina nele

O Teste do Reflexo Vermelho, popularmente conhecido como Teste do Olhinho, constitui uma importante ferramenta de triagem desde os primeiros dias de vida. Uma alteração identificada no exame exige investigação oftalmológica adequada. 

Entretanto, um resultado normal ao nascimento não significa que a atenção possa ser interrompida. O tumor pode surgir posteriormente, e pequenas lesões podem não ser detectáveis na avaliação inicial. O acompanhamento da saúde ocular durante a primeira infância continua, portanto, fundamental. 

O Conselho Federal de Medicina reforça que, mesmo na ausência de sintomas, a criança deve receber avaliação oftalmológica durante o primeiro ano de vida, justamente porque diferentes doenças oculares podem não produzir manifestações perceptíveis em seus estágios iniciais. 

Diagnóstico precoce também é um tema de gestão em saúde

Para clínicas, hospitais, maternidades, pediatras e serviços de oftalmologia, a conscientização sobre o retinoblastomatraz uma reflexão adicional: não basta conhecer a doença; é necessário organizar o cuidado para que uma suspeita encontre rapidamente o caminho até o diagnóstico.

Isso envolve protocolos de triagem e encaminhamento, capacitação das equipes, orientação adequada às famílias, comunicação entre pediatria e oftalmologia e definição de fluxos que evitem atrasos diante de sinais suspeitos.

Na gestão assistencial, cada barreira entre a identificação de uma alteração e a avaliação especializada representa tempo — e, no retinoblastoma, o tempo tem significado clínico.

O 18 de setembro, instituído como Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma pela Lei nº 12.637/2012, ajuda a ampliar essa discussão. Em 2026, a mobilização também integra as ações da campanha De Olho nos Olhinhos, apoiada por instituições médicas e organizações dedicadas ao combate ao câncer infantil. 

Para o Gestão em Oftalmologia, promover essa conscientização significa reforçar um princípio que deve orientar toda organização de saúde: qualidade assistencial também é criar condições para que o diagnóstico aconteça no tempo certo.

No retinoblastoma, conhecer os sinais, orientar as famílias e construir uma jornada assistencial ágil pode significar mais do que preservar a visão.

Pode significar preservar uma vida.

Referências consultadas: Sociedade Brasileira de Pediatria; Conselho Federal de Medicina; Universo Visual; Conselho Brasileiro de Oftalmologia – Revista Veja Bem, edição 36/2022. 

Artigo por Enoch Loes – Founder do www.gestaoemoftalmologia.com.br

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